Histórias

    Como a Maior Concurseira do Brasil Passou em Mais de 12 Provas: Estratégias e Erros

    Engenheira de computação, insatisfeita com o mercado, começou do zero em 2018. Sem saber nada de concurso, sem nenhum amigo que prestasse, sem os atalhos que todo mundo quer. E mesmo assim, Nasle Saton acumulou aprovações em ISS Guarulhos, ISS Campinas, TCDF, TCR Rio de Janeiro, CGU, Receita Federal e Sefaz São Paulo, entre outras, ao longo de apenas alguns anos de preparação.

    28 de junho de 2026

    Como a Maior Concurseira do Brasil Passou em Mais de 12 Provas: Estratégias e Erros
    Nesta página

    De Onde Ela Veio e Por Que Escolheu Concurso

    Nasle é formada em engenharia de computação e conta que na engenharia o concurso ainda é mal visto, como se fosse plano B de quem não deu certo na área. Ela sentiu isso na pele, mas decidiu ignorar e pesquisar por conta própria.

    A lógica foi simples: quais cargos pagam pelo menos R$ 20.000 e ficam em São Paulo? A resposta foram basicamente dois mundos: área fiscal e área de controle. Como os concursos de controle em São Paulo exigiam formação específica em TI e ela não queria continuar nessa área, a escolha foi a fiscal. Os três concursos que a motivaram desde o início: Receita Federal, ISS São Paulo e Sefaz São Paulo.


    Base Antes de Prova: A Filosofia que Pouca Gente Tem Coragem de Seguir

    Nasle levou quase um ano e dois meses de estudo antes de se inscrever no primeiro concurso que ela de fato queria fazer (ISS Guarulhos). Ela chama isso de ser mais metódica e reconhece que foi um diferencial.

    Mas não foi um ano e dois meses de hesitação. Foi construção deliberada. Ela usou esse período para estruturar a base nas matérias que aparecem em todos os concursos da área fiscal: direito tributário, contabilidade, legislação geral. Só depois de sentir que conseguia enfrentar aquele edital específico ela se inscreveu.

    Antes de Guarulhos, ela ainda fez provas de ISS menores, como ISS Valinhos e ISS Itapevi, não porque tinha estudado para eles, mas porque eram da mesma banca e serviam como treino de ambiente de prova. Cada prova ensinou algo diferente: na primeira, ela foi esperando almoçar perto do local e ficou 2 horas na fila, comendo um lanche em pé a caminho do portão. Nunca mais repetiu. Com o tempo, chegava na sala com três garrafinhas de água, barrinhas, casaco e até uma meia extra porque já havia feito prova com o pé molhado e isso a desconcentrou.

    Esse processo de aprender fazendo, sem a pressão de um concurso principal, é o que ela recomenda para quem ainda está na fase de base.

    O problema que ela vê hoje: com tantos editais saindo ao mesmo tempo na área fiscal, candidatos que ainda não fecharam direito tributário já estão acumulando a quarta legislação tributária estadual diferente. A lógica parece fazer sentido, mais provas, mais chances, mas na prática não funciona. Sem domínio das matérias centrais, o resultado em todas elas tende a ser mediano. E o tempo investido na legislação específica vira desperdício porque não há base para sustentá-la.

    Ela também lembra que desde o primeiro pós edital ficou claro que não haveria como fechar o edital inteiro. E que aceitar isso cedo traz tranquilidade real: o que importa não é ter visto tudo, é ter estudado as coisas mais importantes muito bem, acertando as questões fáceis, as médias e parte das difíceis.

    A pergunta que ela sugere fazer para si antes de se inscrever em qualquer prova: "Estou no nível de ser competitivo nesse edital ou ainda preciso construir base?"


    Como Ela Estudava Questões: Qualidade Acima de Quantidade

    Ao longo de anos de estudo, Nasle resolveu pouco mais de 13.000 questões, bem abaixo da média dos concurseiros. E isso foi uma escolha.

    O problema que ela observava nos colegas: fazer a mesma questão quatro vezes e errar as quatro. O erro fica lá sem ser absorvido.

    O jeito dela era diferente. Cada erro virava uma mini investigação. Ela ficava 20 minutos em uma questão se fosse necessário.O objetivo era não deixar nenhum erro sem entender o porquê. Ela também montava cadernos de questões por matéria e revisava os erros e os favoritos ao final de cada caderno


    Como Ela Fazia a Revisão Antes da Prova

    Salvo TCU e ISS São Paulo (dois concursos em que ela fechou o edital com antecedência), a realidade na maior parte das provas era o desespero de não ter dado tempo para ver tudo.

    A estratégia que ela desenvolveu: um mês antes, começa a intercalar revisões com questões. Na semana da prova, para de fazer questão e vai só para os próprios resumos.

    A razão é psicológica: tentar absorver conteúdo novo na semana da prova aumenta a ansiedade sem melhorar o desempenho. O que importa naquele momento é lembrar o que já foi estudado.


    O Desespero na Prova: TCU x Sefaz São Paulo

    Dois concursos com problema sério de tempo. Experiências completamente diferentes.

    No TCU, ninguém esperava aquele nível de dificuldade. Questões de tópicos inéditos, cálculo de algoritmos de machine learning na mão. Nasle foi pega de surpresa no meio da prova, viu que faltavam 15 questões na P1 e que se continuasse no ritmo não faria os mínimos da P2.

    A decisão foi brutal: parou a P1, chutou 10 questões e foi para a P2. Na P2, quase entrou em pânico. Saiu para o banheiro, respirou, lembrou do conselho do marido e voltou para terminar. Chegou em casa chorando achando que tinha perdido tudo. Acabou indo em primeiro lugar na objetiva.

    Na Sefaz São Paulo, o cenário era diferente porque o desafio estava mapeado desde o início. O edital deixava claro: 100 questões em 4 horas na P1. Quem fez a prova de 2013 avisava que era normal chutar 10 ou 15. A pressão existia, mas era esperada.

    Ela montou uma estratégia específica: decidiu de antemão a ordem das matérias, o que deixaria para o final e, pela primeira vez na vida, treinou questões cronometrando. Matemática financeira, onde estava demorando 6 minutos por questão sendo que a prova dava 2, ela treinou especificamente no tempo. Resultado: deixou só 2 questões em branco de uma P1 onde esperava deixar 10.

    A lição: o que acontece dentro da prova reflete diretamente o que você sabe que vai encontrar lá. Surpresa grande, pânico bate. Cenário treinado, pressão é gerenciável.


    A Mensagem Final

    No início você não sabe se vai dar certo. Você abre mão de muita coisa sem garantia nenhuma.

    O que ela aprendeu: vale a pena, mas com uma condição. Não é só insistir do mesmo jeito até funcionar. É insistir e, em cada prova que você faz, aprender algo que muda como você vai fazer a próxima.

    O concurso perfeito que você imaginou pode não ser o que você vai amar trabalhar. E dá para ser muito feliz em órgãos que você nunca tinha considerado.

    Escolha um foco. Persista com inteligência. Corrija os erros em cada etapa.