O método de estudo que aprovou uma escrivã em concurso
Uma escrivã de Polícia Civil aprovada contou sua história sem filtro: o que mais a atrapalhava no caminho e o que, no fim, fez a diferença. Não importa se você nunca prestou um concurso na vida, as lições abaixo valem para qualquer pessoa que precise estudar
30 de junho de 2026
Não existe receita de bolo
Muita gente vê uma aprovada no Instagram contando que estuda por tal material e sai correndo comprar o mesmo, achando que vai passar só por isso. Mas não funciona assim. O jeito de estudar que deu certo para aquela pessoa pode não dar certo para você, porque cada cabeça aprende de um jeito.
Em vez de copiar fórmula pronta, a ideia é testar. Tente ler um PDF, tente fazer um resumo escrito à mão, tente ouvir o conteúdo em áudio, tente desenhar um esquema. Veja com qual desses você realmente lembra da matéria depois. O método certo é aquele que faz o conteúdo "grudar" na sua cabeça, e só você descobre qual é experimentando.
Videoaula: boa ferramenta, mas use com cuidado
A escrivã não tem nada contra videoaula, mas faz um alerta importante: assistir aula é um estudo "passivo". Você só fica olhando a pessoa falar, parecido com assistir Netflix. O problema é que, quando a gente só assiste, raramente para para anotar ou pensar, e o conteúdo entra por um ouvido e sai pelo outro. Dá para passar estudando assim, mas demora muito mais.
O segredo é transformar a aula passiva em ativa: pegue o link do video, coloque no Thinku e faça de 20 a 30 questões (dessa videoaula), após isso, use os flashcards pra revisar os erros e pronto!
E reserve a videoaula principalmente para os assuntos mais difíceis, aqueles em que você empacou. Para o resto, ler costuma ser mais rápido.
Pense assim: assistir três horas de aula seguidas sem parar rende menos do que assistir um pedaço, parar, anotar e testar o que aprendeu. O segundo jeito gasta menos tempo e fixa muito mais.
Resolver questões é o coração do estudo
Esse é, talvez, o conselho mais valioso. Estudar para concurso é uma coisa estratégica: não basta saber a matéria, você precisa saber como a sua prova cobra aquela matéria. E cada banca (a organizadora da prova) tem um jeito próprio de perguntar, com suas pegadinhas típicas.
Por isso, resolver questões de provas anteriores é essencial. Quando você tenta responder uma pergunta, seu cérebro é obrigado a buscar a informação, e esse esforço fixa o conteúdo muito mais do que só ler. Além disso, cada erro mostra exatamente onde está o seu buraco de conhecimento, o que te diz o que revisar.
Um jeito prático de fazer isso: tente resolver a questão sem olhar a teoria, veja onde errou, volte ao conteúdo para entender o erro e, depois, refaça as questões que errou. E não espere "terminar toda a matéria" para começar, vá resolvendo questões desde cedo.
Pare de querer passar rápido
Quando perguntaram o que mais atrapalhava ela no dia a dia, a resposta surpreende: não era a matéria difícil, era a ansiedade de querer passar rápido. Ela achava que tinha que ser aquele concurso, ali, naquele momento, e que se não desse certo o mundo ia acabar.
A virada veio quando ela entendeu que aprovação exige amadurecimento. Você não passa na hora que quer, passa quando está realmente preparado. Como ela resume: a aprovação é a soma da preparação (estudar com disciplina e estratégia) com a oportunidade (o dia da prova). É a prova que te escolhe, não o contrário.
Na prática, isso significa trocar a cobrança de "tenho que passar já" pela meta de "tenho que evoluir um pouco a cada semana". Essa mudança de cabeça evita que você desista cedo demais, justo quando ainda estava no começo natural do processo.
Constância vence: concurso é uma fila
Aqui está a imagem mais poderosa do relato: concurso é como uma fila. Se você se dedica, continua se dedicando e vai progredindo, uma hora chega a sua vez. Mas se você desiste, estaciona ou estuda um dia e some por três, a fila não anda para você.
O que segura a vez na fila é a regularidade. Estudar um pouco todos os dias rende muito mais, ao longo dos meses, do que fazer maratonas exaustivas de vez em quando e depois sumir. Uma dica para manter o ritmo mesmo nos dias corridos: em vez de marcar matéria por data fixa no calendário, monte uma sequência rotativa de disciplinas. Assim, se você perder um dia, é só continuar de onde parou no dia seguinte, sem bagunçar todo o planejamento e sem aquele desânimo de "já furei tudo".
Mire mais alto do que o seu alvo
Um último insight esperto: ela não estudava só para escrivão, estudava para delegado, um cargo mais alto. No último concurso, não passou para delegada por uma mudança de regra da banca. Mas repare na consequência: como ela se preparou num nível acima, a base ficou muito mais forte, e o resultado apareceu mesmo assim.
A lição é direta: se você estuda com a profundidade de um cargo superior, as questões do seu concurso-alvo tendem a parecer mais fáceis, porque você dominou o conteúdo num grau acima do exigido.
Conclusão
No fim, não existe atalho mágico, existe estratégia somada a constância. Descubra o método que funciona para você, transforme videoaula em estudo ativo, resolva questões da sua banca desde cedo e troque a pressa pela disciplina de evoluir todo dia. Como ela diz: concurso é uma fila, e quem permanece nela acaba chegando a sua vez.